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História da Família Simplício

 

 

 

 

SIMPLÍCIO: Nas décadas de 60 e 70 em Tenente Portela o nome de Pedro Caxambú era legendário. Herdeiro da famosa posse dos Caxambús, Pedro Simplício de Castro, foi um homem tido como poderoso entre as populações marginais e dotado de uma personalidade forte que seguidamente lhe proporcionava problemas com a polícia. Gostava de bailes, festas e mulheres e nestes divertimentos gastou parte de sua fortuna e onde também adquiriu o vício pelo álcool que o acompanhou até o fim de seus dias. Naquela época, ele era respeitado por alguns e temido por muitos. Bastante de sua fana, é claro, advinha da história de sua família. sem dúvida alguma a mais antiga e por isto mesmo a mais tradicional da primeira metade do século na região onde hoje se situa o município. 

Pedro Simplício de Castro é o filho mais novo de Belizário Simplício de Castro um dos pioneiros que chegou na região em 1875 com 4 anos trazido por seu pai, Manoel Simplício de Castro. O nome da família Simplício de Castro ainda é pouco conhecido entre os habitantes da região pois popularmente eles são conhecidos como Caxambús. Sobre a origem do sobrenome que batizou toda a descendência de Manoel Simplício de Castro, a versão fornecida pelos mais antigos é a de que eles teriam migrado do sul do estado de Minas Gerais no final do século passado e por terem vindo da cidade de Caxambú, receberam como alcunha o nome da cidade de origem. 

Hoje até uma das muitas vilas pobres, formada em sua maioria por agricultores que foram expulsos de suas pequenas propriedades, e que circunda Tenente Portela, leva o nome de Vila Caxambú. 

A história dos Caxambús está fortemente unida a história primitiva de Paris, o pequeno povoado praticamente fundado por eles no 5º Distrito da antiga Santo Antônio da Palmeira das Missões. Na clareira da mata, margeada por um pequeno córrego chamado Parizinho, chamado assim pelos índios Kaingans e Guaranis que co-habitavam a mesma região, se estabeleceram na colheita e no processamento da erva-mate nativa, que, em sua maior quantidade era levada ao lombo das tropas de burros até a sede Municipal em Palmeiras. Na volta vinham produtos que encimavam as tulhas da pequena bodega dos Caxambús e que servia de ponto de abastecimento para os caboclos da vasta região. Eram algumas peças de tecido de qualidade e padronagem barata, sal, fumo em corda e querosene para alimentar os candieiros que esfumaçavam o teto de Santa fé dos pequenos ranchos. 

Com a revolução de 1893, mais famílias buscaram o seu espaço na região, presume-se que os Pedroso, os Machado e os Lima chegaram naquela época. No século seguinte, no ano 23, com a derrota dos maragatos, muitos fugiram para as matas do Alto Uruguai, se estabelecendo na região ou transitando pelas pequenas picadas que levavam a Paris. Em 24 com a revolução Tenentista e com a decisão das forças de Luiz Carlos Prestes romperem o cerco que lhe faziam as forças governistas, marchando em direção ao Paraná para se juntar a Coluna Paulista, os revoltosos chegaram em Paris no dia 12 de janeiro de 1925. Belizário Caxambú era sem dúvida o líder do minúsculo povoado e deu todo o apoio as forças revolucionárias. Era dever de maragato apoiar os homens de Prestes que também estavam contra o tirano do Borges de Medeiros, contam os descendentes. 

Durante quase una semana os revolucionários passaram pelo povoado Paris que era coordenado pelo revolucionário Major Mário Portela. Pedro Caxambú diz que o seu pai acolheu na sua casa o Coronel Cordeiro de Farias que estava adoentado. "Dizem que tinha uma pneumonia e o velho tratou dele. Quando foi embora ele acompanhou o Cordeiro até o Pardo e levou ele nas costas para atravessar o Rio. 

O apoio aos revolucionários custou caro aos maragatos de Paris. Mesmo antes de chegar em casa, Belizário ficou sabendo por um tropeiro que os Provisórios já haviam chegado na Vila. A noite ele se reuniu com a sua família e decidiu migrar para a Argentina onde teve que passar dois longos anos, ate o fim da Coluna Prestes. Na calada da madrugada, Belizário a mulher e os seus seis filhos, quatro meninos e duas meninas, partem rumo as barrancas do rio Uruguai. No dia seguinte os provisórios colocaram fogo na sua bodega e no seu soque de erva queimando várias arrobas que já estavam enfardadas para serem postas em lombo de burro para seguirem a Palmeiras. Com 54 anos o Caxanbú deixa o cantinho de terra em que viveu os seus últimos 50 anos. Além da propriedade dos Caxambús várias outras foram queimadas, sendo poupada apenas a do Capitão Tibúrcio. 

Pedro Caxambú nasceu depois de três meses que a sua família voltou a Paris em 1927, assim que Belizário obteve a certeza que o clima de perseguição já não era tão intenso e que ele poderia reconstruir o que era seu em sua terra. Ele brinca sobre a situação que envolveu o seu nascimento: " Papai já tinha uns 55 anos e mamãe, que já tinha bastante idade, quando chegou da Argentina já estava grávida de 6 meses, vai ver que eu sou filho de um castelhano!" 

O empenho e o sofrimento de Belizário Caxambú, em conseqüência da Coluna Prestes lhe trariam vantagens mais tarde. Restabelecendo a sua liderança e mesmo sofrendo de tuberculose, em 1942 ele ao lombo de um cavalo baio e outro de reserva, faz os 450 quilômetros que distanciam a Vila da Capital afim de manter uma audiência com o Interventor Estadual Osvaldo Cordeiro de Farias. Em Porto Alegre Belizário e seu companheiro de viagem foram recebidos pelo "governador". Recordando os momentos difíceis da Coluna, Cordeiro de Farias autoriza a emissão de um documento chamado "Carta Trintenária" dando posse ao amigo Belizário de 16 colônias e meia de terra na Vila "Parí". São 421 hectares de terra contornados pelo Rio Parizinho, Lajeado Tigre, Lajeado Taquara Lisa, córrego Pedra Lisa em divisa seca até a propriedade de Benno Fries. 

A posse Caxambú, em menos de meio século, foi se evaporando . Hoje da vasta área, (toda em limitação urbana) de terras restam alguns lotes que vem sendo comercializados pelo Pedro e por seus filhos. Porém para instituir os limites da posse muitas disputas, que acabaram sendo feitas. Pedro Caxambú lembra que com a posse da carta "trintenária" o seu pai tratou de tirar de sua propriedade o Tibúrcio Santos Borges, Aldelina de Castro, Lobato de Castro, Medino de Castro e os velhos Esmildo e o Sercio, que eram capangas do Capitão Tibúrcio. Instituído os seus limites e identificados os seus desafetos em 1947 morreu o "Capitão" Belizário Simplício de Castro, o Belizário Caxambú. Com a mágoa de não dispor o controle sobre o imponderável ele quase meio século depois , solenemente confessa: "Os médicos mataram o meu pai no hospital na vila de Portela..."

 

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