Notícias



Busca

Pesquisa personalizada





Usina de Soluções Tecnologia da Informação

 

 

História da Família Varge

 

 

 

VARGE/VARGEM/VARGIA: Nome de origem toponímica, deriva das características da localidade de origem, uma campina cultivada em um pequeno planalto, ou várzea. Varge é um sobrenome muito raro e tem sua origem nos lugares de Várzea (Varge/Vargem/Vargia) e Granja, na freguesia de Santiago da Guarda, pertencente ao concelho de Ansião, região de Leiria, em Portugal. Esta região, protegida dos ventos marítimos pela Serra da Sicó, que se prolonga por alguns kilômetros, delimita-se pelo Monte Alvão e pela elevação do Outeiro, prolonga-se para lá da Guarda pelo Vale Longo e pelo Monte do Moinho da Ladeira até a elevação de Santiago da Guarda. Além das aldeias de Várzea e Granja, outros povoados importantes são: Carvalhal, Casal de Arouca, Casal do Galvão e Guarda.

Existem nesta região vestígios de ocupação humana desde o tempo dos romanos e dos mouros (árabes). Há, no entanto, fontes materiais que garantem a humanização destas paisagens desde há milhares de anos. Sem dúvida, as primeiras comunidades humanas que lá se fixaram tinham na agricultura, na caça e no pastoreio as principais fontes do seu sustento e sobrevivência. Entre as provas materiais da presença dos povos romanos e árabes nesta região, basta referir, os túneis subterrâneos do campo da Várzea e uma antiga via romana. Além disso, um conjunto de lendas mouras faz parte da memória coletiva do povo local.

O povoado de Várzea, que ali existia na Idade Média, no período em que se fez a reconquista cristã desta região (século XII), teria se chamado Façalamim, de origem árabe - fahç al mir - que significa "campo do amir", ou seja "campo do rei/príncipe" (cf. José Eduardo Reis Coutinho, Ansião/Perspectiva Global da Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho, Coimbra, 1986, p. 181). Façalamim, além das aldeias da Granja e de Santiago da Guarda, ficavam em uma região denominada Ladeia.

Ladeia, nos primeiros reinados portugueses, foi tempo de grande insegurança, porque sujeita a constantes movimentos de guerreiros cristãos e muçulmanos, aqueles porque não queriam ser surpreendidos em Coimbra, estes porque tentavam, por todos os meios, evitar a expansão do domínio cristão para Sul. Por ali passou muitas vezes D. Afonso Henriques, com o seu exército, à conquista de Leiria. Os primeiros proprietários de Façalamim teriam sido Palágio de Todas e sua mulher Elvira, que haviam adquirido esta propriedade a D. Afonso Henriques e a D. Mafalda; em Fevereiro de 1141 aparecimento dos primeiros casais do povoado de Façalamim, compreendido entre os limites de Alvorge, Torre de Vale de Todos e Ansião; em 1148, estes seus proprietários teriam feito doação destas terras ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra; em 1164, já pertencia ao Mosteiro de S. Jorge de Coimbra, nas mãos de quem se haveria de manter ao longo de vários séculos. Só em 1553, quando o Cardeal D. Henrique fundou a Universidade Jesuíta de Évora, é que os campos de Façalamim mudaram para a Companhia de Jesus, como um dos benefícios de que foi dotada aquela importante Instituição Religiosa, que ali chegou a ter um edifício apalaçado que serviu de residência aos Jesuítas encarregados do recebimento dos seus direitos. No tempo do Marquês de Pombal, acusados de terem estado envolvidos na tentativa de regicídio, foram extintos e os seus bens integrados nos da Coroa. Não parece ter sido o caso destes, que, ainda segundo José Eduardo dos Reis Coutinho (op. cit., p. 84), teriam passado, indevidamente, à posse de particulares, e, mais tarde, descoberta a ilegalidade, teriam sido vendidos em hasta pública. Segundo as Memórias Paroquiais (que hoje encontram-se na Torre do Tombo), em 1758, Façalamim (ou Campo da Várzea) possuia 71 fogos (casas) e 243 habitantes, e provavelmente produzia vinho, trigo e cera. A propriedade de Façalamim, já no início do século XIX (1805), teria passado à posse da Marquesa de Angeja, D. Francisca Teresa de Almeida.

 

Capela de Nossa Senhora da Orada, no lugar da Granja (Santiago da Guarda), que foi a Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Orada do século XII ao século XIX, e onde fora batizado no ano de 1738 o primeiro integrante da família Varge (Antonio Mendes Varge), e seus pais, os patriarcas Luis Mendes e Maria Ferreyra.

 

Trecho retirado das referidas Memórias Paroquiais a respeito da Igreja de Nossa Senhora da Orada: "...A Igreja esta situada em hum Outeyrozinho donde se descobre o lugar da Granja quazi vezinho, o do outeyro Mouta Santa, Casais de Taulamim [Façalamim?], estes da mesma freguesia, e tambem dahy se descobre a Igreja de São Tiago da Goarda, e alguns de seus lugares, como são Cabeço, Goama [Guarda?] e Carval [Carvalhal?], distão estas duas Igrejas uma da outra meyo quarto de legoa pouco mais ou menos. Esta freguesia he do termo de Coimbra, comprehende dous Conselhos de Taulamim, "Pedra Ruyva, Graminhal" "Raões", Matos de Santa Barbara de Sima, e Estrada, e vale do Cortisso, os quais lugares todos tem 243 pessoas... O Donatario he o Collegio do Espirito Santo da Cidade e universidade de Evora... A dita Igreja esta fora do lugar e muito perto do lugar da Granja distante hum tiro de pedra... O orago é Nossa Senhora da Expectação, que tambem se diz Senhora do Ó e vulgarmente se diz Senhora da Orada: tem a Igreja quatro altares hum de Nossa Senhora da Orada, aonde esta o Sacrario, outro do Divino Espirito Santo, outro de Nossa Senhora do Rozario, e outro das Almas, não tem naves a Igreja, e tem duas Irmandades, huma do Santissimo Sacramento, a outra das Almas...O Parocho da Igreja he Cura anual que apresenta o Padre Reytor do Collegio da Companhia de Jesos da Cidade e universidade de Evora, e tem de Congrua quatorze mil, e seis centos em dinheiyro, dous alqueyres de trigo, dous almudes de vinho, e dez arrateis de Cera...Naõ ha Convento, ou Conventos na freguesia...Naõ tem Hospital... Naõ tem Caza de Mizericordia... Há tres Ermidas na freguesia: huma de São Simão no lugar do Outeyro de Mouta Santa, outra de Santo Antonio no lugar dos Cazais de Taulamim, e outra de Santa Barbara no lugar de Matos as quais pertencem aos mesmos lugares em que estão... Em firmeza do que me assino em 30 de Abril de 1758. O Cura João Mendes Baptista."

Fonte: http://www.ansiao.net

Voltar